Ok, tarefa de hoje: filosofar. Vamos lá, não é tão difícil. E convenhamos: que ótimo exercício para sexta-feira. E por que não sobre o amor? Essa bela palavra de cinco letrinhas. Essa coisa que dá frio no estômago, as mãos suam, olhos brilham. Clichêzão eu falar isso, mas a questão é que acontece com todo mundo. O amor é mesmo piegas. A diferença, biologicamente falando, é o fenótipo, é o ser humano que te faz pensar nele nas horas mais solitárias, é aquele sentimento de você estar rodeado de pessoas e ainda assim saber que não está sozinha, afinal as memórias não nos abandonam.
Intervalo, Católica, amigas reunidas (nomes fictícios, como no Barra Pesada):
- Bernadete, como você é difícil. Assim vai ficar sem ninguém.
- Ih, eu me garanto. Na hora que eu quiser, vou pegar, Lucinda.
Será o amor tão fácil assim? Seremos nós, mulheres, a escolher nosso homem? Ou seremos as escolhidas, como o velho (e não tão bom ditado) diz: Quem escolhe demais, é escolhido. As coisas mudaram. Mulher é bicho óbvio: na hora do desespero, não engana. É cachorro sem osso. Não nega e nem esconde. E dependendo do ser feminino, a reação do cachorro ainda é mais discreta. O instinto mais primata aflora. Mas eu acredito na capacidade que algumas delas têm em conseguir. Essa amiga, por exemplo, é uma dessas. E existem aquelas que não tem como ficarem solteiras. Sem segredos, sem regras, simples assim.
Carro, volta para casa, carona-amiga:
- Menina, só caso depois dos 30. Quero sustentar meu marido.
- Corretíssimo, Mariângela. Mulher atingiu um nível que agora não se tem de depender de ninguém.
30... Por que 30? Pensando no que tenho de fazer, na minha idade, situação e trabalho, aumentei meu prazo: 32. Talvez a nova geração seja a dos 30, como há 50 anos atrás era a dos 20. E talvez realmente as mulheres queiram ganhar seu espaço, sem ter de pedir dinheiro ao marido para comprar suas coisas. Não me considero Beauvoir ou Sand, mas vamos lá, é hora de assumir. Os tempos mudaram. A nova geração leva filho para o trabalho, amamenta no metrô, espera o jantar do marido, lavam as louças juntos. O esquema é cama king-size, mesa para dois, flores verdes, verduras transgênicas.
Pizzaria, 22 horas, amigas.
- Caso em 2009.
- Mas você tem minha idade, 2009 terá só 24 e ainda nem terá terminado a faculdade.
- E olha que se o Lucrêncio passar no concurso, casamos até antes.
- E como você vai se sustentar? - no singular mesmo.
- ...
Para que se sustentar quando o marido ganha o suficiente para os dois? Fazer compras do mês só quando o "esposo" liberar a grana. E por favor, tudo natural. Não quero que meus filhos comam produtos industrializados. E o batom? Não vai colocá-lo? Estamos indo jantar na casa do meu chefe. Ah, entendi. Não tinha dinheiro. 5 reais são suficientes? Ok, passamos na farmácia antes de ir. O botão da minha blusa caiu. A camisa está com uma marca de ferro. Você não precisa de ajuda. O dinheiro que gastaríamos pagando uma faxineira serve para a escola particular do seu filho. Queremos que ele tenha um bom futuro, não é mesmo? Eu sei, mas está difícil. Quem sabe próximo ano?
E viva as mulheres nas fábricas...



